
Tipos de bilinguismo
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Para definir bilinguismo, Hamers e Blanc (2000) consideram seis dimensões. Termos em português por Megale, 2005.
1. Competência relativa
2. Organização cognitiva
3. Idade de aquisição das línguas
4. Presença ou não de indivíduos falantes da L2 no ambiente social da criança
5. Status da língua na sociedade
6. Identidade cultural
1. Competência Relativa
A competência relativa está relacionada com a competência linguística nas duas línguas. Podemos então falar em bilinguismo balanceado e bilinguismo dominante [8](HAMERS; BLANC, 2000).
O bilinguismo balanceado é considerado quando o falante apresenta o mesmo nível linguístico nos dois idiomas. Isso não quer dizer que o falante necessite ter um alto grau de proficiência em L1 e LE/L2, mas precisa ter o nível equivalente nas duas línguas.
Por outro lado, o bilinguismo dominante é quando há maior nível de conhecimento em um dos idiomas, na maioria das vezes, em L1.
2. Organização Cognitiva
Quando falamos em organização cognitiva estamos nos referindo aos tipos de bilinguismo composto e bilinguismo coordenado.
No bilinguismo composto o bilíngue apresenta uma representação cognitiva, um símbolo, para a mesma palavra nos dois idiomas. Por exemplo, quando falamos a palavra mesa ou table, o bilíngue composto tem a mesma representação, o mesmo símbolo, para as duas palavras.
Já o bilíngue coordenado apresenta representações distintas para cada palavra em cada idioma. Por exemplo, no bilinguismo coordenado o indivíduo tem um símbolo de referência para mesa e outro para table.
É importante considerar que a idade e o contexto de aquisição influenciam diretamente nesses dois conceitos, composto ou coordenado (HAMERS; BLANC, 2000). Muito provavelmente, uma criança que desde seu nascimento tem contato constante com os dois idiomas, um em casa e outro na rua, cria o mesmo símbolo cognitivo para as palavras equivalentes nos dois idiomas. E a criança que primeiro consolidou L1 para depois aprender LE/L2, tenha símbolos cognitivos discernidos para cada palavra em cada língua.
3. Idade de aquisição
A idade de aquisição das línguas é um fator de grande importância dentro do fenômeno de bilinguismo. Enquanto a criança está adquirindo língua, ao mesmo tempo, várias áreas de desenvolvimento também estão em progresso. É necessário considerar a influência que uma área tem em relação a outra. O desenvolvimento linguístico ocorre em paralelo ao desenvolvimento cognitivo, neurológico, psicológico, social e cultural.
Em relação aos tipos de bilinguismo nesse item, fazemos direta relação com a idade na qual as línguas são adquiridas. Dessa forma, podemos falar em bilinguismo infantil, bilinguismo na adolescência e bilinguismo adulto (HAMERS; BLANC, 2000). Para o bilinguismo na adolescência e na fase adulta da vida, quando L2 é adquirida, é o bilinguismo coordenado que acompanha sua organização cognitiva. E na maioria das vezes, o bilinguismo dominante prevalece quando falamos de competência relativa.
Vamos analisar separadamente o bilinguismo infantil, foco deste trabalho. Como citado anteriormente, quando se desenvolve o bilinguismo infantil, outras áreas também estão em desenvolvimento, sendo elas motoras, sociais, cognitivas ou psicoemocionais. O desenvolvimento ocorre de forma holística e simultânea, mas não podemos deixar de ponderar que uma área influência diretamente na outra. Para isso, podemos subdividir o bilinguismo na infância em bilinguismo simultâneo e bilinguismo consecutivo[13] (HAMERS; BLANC, 2000).
Linguisticamente analisando, o bilinguismo simultâneo acontece quando o indivíduo tem contato e vivência com os dois idiomas desde o seu nascimento. E o bilinguismo consecutivo, ocorre quando a criança adquire LE/L2 depois de ter adquirido as principais características linguísticas de sua L1 (HAMERS; BLANC, 2000).
4. Presença ou não de indivíduos falantes da L2 no ambiente social da criança
Esse item está diretamente ligado às pessoas que estão ao redor da criança nessa fase de desenvolvimento infantil. Mais precisamente ao foco linguístico dessas pessoas, que língua falam e como se comunicam. Portanto, relacionamos aqui o bilinguismo endógeno e o bilinguismo exógeno.
No bilinguismo endógeno, os dois idiomas são igualmente utilizados pela comunidade na qual o sujeito está inserido. Esse uso pode ser institucionalizado ou não. Já no bilinguismo exógeno, nenhum das línguas é usada institucionalmente, mas as duas são oficiais na comunidade (HAMERS; BLANC, 2005).
Hamers e Blanc (2000) apresentam um exemplo sobre bilinguismo exógeno através de uma criança de Cotonou que fala Fon em casa e tem o Francês como única língua de instrução na sociedade em que está inserida. Essa criança desenvolve o bilinguismo exógeno.
5. Status da língua na sociedade
De acordo com o status do idioma na sociedade, seu valor, sua presença e importância, o bilinguismo desenvolvido pode ser de dois tipos. Estamos falando em bilinguismo aditivo e subtrativo.
O bilinguismo aditivo ocorre quando as duas línguas em questão são línguas de prestígio na sociedade. Durante o desenvolvimento cognitivo a aquisição de L1 e LE/L2 são valorizadas, o que acarreta em nenhuma perda ou prejuízo relacionado a L1. Além do que, a criança se beneficiará dessa experiência bilíngue através de estímulos enriquecedores que leva a uma maior flexibilidade cognitiva comparada aos monolíngues (HAMERS; BLANC, 2005).
No entanto, no bilinguismo subtrativo, a L1 é desvalorizada no contexto social e econômico da sociedade que a criança está inserida. Essa desvalorização pode gerar um atraso cognitivo em comparação ao seu par monolíngue. Em casos extremos a criança pode não se recuperar desse atraso. (HAMERS; BLANC, 2000).
6. Identidade cultural
Quando aprendemos uma língua, características culturais acompanham esse processo de aquisição linguística. Dessa forma, indivíduos bilíngues desenvolvem uma identidade cultural de acordo com o idioma em questão. Os bilíngues podem ser biculturais, monoculturais, aculturais e desculturais (HAMERS; BLANC, 2000).
Os bilíngues biculturais, são aqueles que se identificam com as duas culturas e assim, reconhecido por ambas.
O bilíngue monocultural se identifica e é aceito por somente uma das culturas. Podem existir casos de indivíduos que falam duas línguas fluentemente, mas que permanecem monoculturais, sem identificação com a cultura de um dos idiomas.
Temos também os bilíngues aculturais. São aqueles que abandonam a identidade cultural que sua L1 proporciona e cria uma identificação maior a identidade cultural de sua L2. Adotando inclusive os valores culturais da L2.
Por fim, falamos em bilinguismo descultural. É quando o bilíngue desiste de sua identidade cultural adequada por sua L1 e tem dificuldade ou problemas ao tentar adotar os valores provenientes da sua L2.
(OYA, 2017)
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